Catorze pessoas em uma sala
Uma empresa de serviços profissionais tem um problema sério e decide atacá-lo como se ataca o que é importante: põe os melhores. Monta um comitê com catorze pessoas —as mais brilhantes de cada área, as que "não podem faltar"— e pede a elas uma solução em noventa dias. A primeira reunião é eletrizante: há energia, ideias, currículos impecáveis ao redor da mesa. Todos saem convencidos de que, com semelhante grupo, o resultado está garantido.
Três meses depois, o comitê entrega um documento morno, atrasado, que ninguém termina de assumir como seu. Ninguém foi incompetente. Ninguém boicotou. E, no entanto, o conjunto rendeu menos do que quase qualquer um de seus integrantes separadamente. Na reunião de encerramento, alguém resume tudo com a frase que se escuta em todas as latitudes: "tínhamos os melhores, não entendo o que aconteceu".
O que aconteceu é o mais estudado e o pior compreendido da vida organizacional: reunir talento não é o mesmo que construir uma equipe. Um grupo de pessoas excelentes pode produzir um resultado medíocre com uma facilidade que assusta —e o faz o tempo todo, em comitês, forças-tarefa, diretorias e "equipes" que só compartilham o nome—.
Este artigo —o primeiro de uma série de três— trata de por que isso ocorre, e da evidência, acumulada ao longo de meio século, que desarma o mito mais caro do trabalho em equipe: o de que basta reunir as pessoas certas e esperar que a química faça o resto. A conclusão, adiantada, é dura e libertadora ao mesmo tempo: o alto desempenho não é um acidente afortunado nem um traço de personalidade coletiva. É um artefato de desenho.
A equipe que rende menos que suas partes
Comecemos pelo fato mais contraintuitivo e mais bem documentado: um grupo costuma produzir menos do que a soma do que seus membros produziriam trabalhando sozinhos. Não é pessimismo de escritório; é uma regularidade medida há mais de um século.
No fim do século XIX, o engenheiro agrônomo francês Maximilien Ringelmann pôs homens para puxar uma corda, sozinhos e em grupo, e mediu a força com um dinamômetro. Um indivíduo isolado exercia em média uns 85 quilos de tração. Posto em um grupo de sete, cada pessoa contribuía com 65; em um de catorze, 61. Traduzido em porcentagens, a série clássica é eloquente: o esforço por pessoa cai para cerca de 93% em uma dupla, 85% em um trio e apenas 49% em um grupo de oito. Metade do músculo se evapora no caminho.
Parte dessa queda é coordenação; outra parte —a que importa— é motivação. Quando o esforço individual se dilui no resultado coletivo, as pessoas afrouxam sem querer. É a preguiça social, e não é uma anedota: a metanálise de Karau e Williams, que integrou 78 estudos, encontrou um efeito de magnitude moderada —um d de Cohen de cerca de 0,44— consistente entre tarefas, países e pessoas. Atenua-se, além disso, quando a contribuição de cada um é visível e a tarefa importa: a primeira pista de que estamos diante de algo desenhável, não de uma fatalidade.
Décadas antes, Ivan Steiner deu-lhe fórmula: produtividade real = produtividade potencial − perdas de processo. A distância entre o que o grupo poderia alcançar e o que alcança são as reuniões que não decidem, a informação que não circula, os esforços que se atropelam. A pergunta de gestão não é se essas perdas existem —existem sempre—, mas quanto se as reduz.
E há um agravante moderno. Segundo Rob Cross, Reb Rebele e Adam Grant, o tempo dedicado a atividades colaborativas cresceu 50% ou mais nas últimas duas décadas, a ponto de, em muitas empresas, as pessoas passarem cerca de 80% de sua jornada colaborando. Pior: a carga se concentra —entre 20% e 35% das colaborações de valor vêm de apenas 3% a 5% das pessoas, os gargalos involuntários a quem todos recorrem até esgotá-los—.
"Colaborar" não é um valor, é um custo com benefício. O discurso corporativo trata a colaboração como uma virtude sem preço: quanto mais, melhor. A evidência diz outra coisa. Cada interação tem um custo de tempo e atenção, e o retorno é decrescente: passado certo ponto, somar reuniões e pessoas subtrai. Desenhar uma equipe inclui decidir quando não se reunir.
Um grupo não é o mesmo que uma equipe
Convém uma distinção que Jon Katzenbach e Douglas Smith cravaram em 1993 após estudar mais de cinquenta equipes em trinta empresas. Nem todo grupo que trabalha junto é uma equipe. Um grupo de trabalho se reúne para compartilhar informação; sua responsabilidade e seus produtos são individuais. Uma equipe produz produtos coletivos —coisas que só existem se vários fazem trabalho real em conjunto— e responde mutuamente por eles. Essa responsabilização mútua é a linha que separa um rótulo motivador de uma unidade de desempenho.
| Grupo de trabalho | Equipe |
|---|---|
| Líder forte e único | Papéis de liderança compartilhados |
| Responsabilização individual | Responsabilização individual e mútua |
| O propósito é o da organização | Propósito específico que a equipe cria e do qual se apropria |
| Produtos de trabalho individuais | Produtos de trabalho coletivos |
| Mede sua eficácia pela influência sobre os outros | Mede o desempenho por seus produtos coletivos |
Tabela — Grupo de trabalho ou equipe: como distingui-los. Adaptado de Katzenbach e Smith, 1993.
O erro caro não é ter grupos de trabalho —são necessários—, mas chamar tudo de "equipe" e esperar desempenho de equipe sem instalar nenhuma das condições que o tornariam possível. As catorze pessoas da nossa sala eram, a rigor, um grupo ao qual se pediu que funcionasse como equipe sem lhe dar nada do que uma equipe precisa.
A química é um mito caro
E do que precisa uma equipe? J. Richard Hackman, de Harvard, estudou equipes por mais de quarenta anos —de tripulações de aviação a orquestras sinfônicas—, e sua descoberta central desafia a intuição dominante: o que faz ou desfaz uma equipe não são as personalidades nem os estilos de seus membros, mas um punhado de condições habilitadoras que se podem montar de antemão. A pergunta "temos a química certa?" é a menos importante.
A demonstração mais famosa não veio da academia, mas do Google. Entre 2012 e 2015, em um estudo interno que chamaram de Project Aristotle, analisaram 180 equipes (115 de engenharia e 65 de vendas) contra mais de 250 variáveis. O resultado desconcertou seus próprios analistas: quem integrava a equipe importava muito menos do que como trabalhavam juntos. Quando isolaram o que distinguia os melhores, apareceu uma hierarquia de cinco dinâmicas —e uma, de longe, acima das demais—.
Os cinco fatores —segurança psicológica, confiabilidade, estrutura e clareza, significado e impacto— não são traços de personalidade: são propriedades do ambiente que a equipe habita, e todas se podem construir. (Convém uma nota de honestidade: o Project Aristotle é pesquisa interna de uma empresa, não um estudo revisado por pares, e a cifra de "43% da variância" que às vezes se lhe atribui não aparece na fonte. Vale como evidência potente e convergente com a acadêmica, não como um experimento de laboratório.)
O desempenho se decide antes de começar
Se as condições se montam de antemão, o momento decisivo da liderança não é a partida: é a pré-temporada. Os pesquisadores do campo —Hackman e Ruth Wageman entre eles— resumem-no em uma heurística, a regra 60-30-10: um líder deveria colocar cerca de 60% de sua energia no desenho prévio —propósito, gente, tamanho, estrutura, normas—; 30% no lançamento; e apenas 10% no coaching em andamento. O grosso do resultado já está decidido antes da primeira reunião de trabalho.
Importa o rótulo: a 60-30-10 é uma heurística de praticantes, útil como bússola, não um estatístico validado. Mas coincide com tudo o mais que sabemos: as equipes que funcionam quase sempre foram bem montadas, e as que fracassam arrastam defeitos de fábrica que nenhum coaching posterior consegue compensar. É o mesmo padrão dos projetos de capital: o destino se define cedo, em decisões que quase ninguém olha. O comitê das catorze pessoas não fracassou no dia 80; fracassou no dia em que se decidiu que fossem catorze, sem propósito específico, sem papéis, sem normas e sem ninguém que respondesse pelo resultado coletivo. O resto foi consequência.
Perguntas abertas
- É uma equipe ou um grupo de trabalho? Produz algo que só existe se trabalham juntos?
- Alguém responde pelo resultado coletivo, ou cada um responde só pela sua parte?
- A equipe tem o tamanho mínimo necessário —ou inchou até virar uma multidão que se atrapalha?
- Quanto do tempo da sua gente se vai em colaborar, e quanto lhe resta para o trabalho que só ela pode fazer?
- Há duas ou três pessoas sobrecarregadas sustentando o grosso das colaborações de valor?
- Quando montou sua última equipe, quanta energia colocou em desenhá-la antes da primeira reunião?
- Está esperando que a "química" resolva o que na verdade é um problema de condições que ninguém instalou?
Se várias respostas incomodam, é bom sinal: significa que você deixou de se perguntar pelo talento da sua gente —que provavelmente sobra— e começou a se perguntar pelo desenho das suas equipes, que é onde estava o problema desde o início.
Reunir os melhores e esperar que a mágica aconteça é a forma mais cara e comum de montar uma equipe. O desempenho coletivo não brota do talento acumulado nem da boa sintonia, mas de condições concretas que alguém tem de desenhar. Na Parte 2 vamos ao concreto: quais são, uma a uma e com a evidência na mão, as alavancas que de fato movem a agulha.
Sobra talento e faltam resultados de equipe?
A 32sur trabalha o desenvolvimento de equipes e a profissionalização da condução: desenhar equipes com propósito, tamanho e papéis claros, e instalar as condições que a evidência associa ao desempenho — não oficinas de motivação para pendurar na parede.
Referências
Como ler os dados. O tamanho de efeito (d de Cohen) mede quão grande é uma diferença, independentemente do tamanho da amostra: por convenção, ~0,2 é pequeno, ~0,5 moderado e ~0,8 grande. O 0,44 da preguiça social é, portanto, um efeito moderado.
- Cross, R., Rebele, R. e Grant, A., "Collaborative Overload", Harvard Business Review, janeiro–fevereiro 2016 — o tempo colaborativo cresceu ≥50% em duas décadas; 3–5% das pessoas concentram 20–35% das colaborações de valor.
- Kravitz, D. A. e Martin, B., "Ringelmann Rediscovered: The Original Article", Journal of Personality and Social Psychology, 50(5), 1986 — recuperação dos dados originais de Ringelmann.
- Karau, S. J. e Williams, K. D., "Social Loafing: A Meta-Analytic Review and Theoretical Integration", Journal of Personality and Social Psychology, 65(4), 1993 — metanálise de 78 estudos; efeito moderado (d ≈ 0,44).
- Steiner, I. D., Group Process and Productivity, Academic Press, 1972 — produtividade real = potencial − perdas de processo.
- Katzenbach, J. R. e Smith, D. K., The Wisdom of Teams, Harvard Business School Press, 1993; e "The Discipline of Teams", HBR, março–abril 1993 — a distinção entre grupo de trabalho e equipe.
- Hackman, J. R., Leading Teams: Setting the Stage for Great Performances, Harvard Business School Press, 2002 — as condições habilitadoras.
- Wageman, R. e Lowe, K., "Designing, Launching, and Coaching Teams: The 60-30-10 Rule", em The Practitioner's Handbook of Team Coaching, Routledge, 2019 — a heurística (regra prática, não medição de variância).
- Google re:Work, Guide: Understand Team Effectiveness (Project Aristotle) — análise de 180 equipes; as cinco dinâmicas e a primazia da segurança psicológica.
- Duhigg, C., "What Google Learned From Its Quest to Build the Perfect Team", The New York Times Magazine, fevereiro 2016.