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Artigo 15 · Decidir sob incerteza

O território manda (por que nem toda decisão se decide igual)

Segunda de três partes sobre decidir sob incerteza. Buffett defende os fossos; Musk diz que são coisa do passado e que o que conta é a velocidade de inovação. Os dois têm razão —em territórios distintos—. O erro estratégico mais caro não é um viés: é analisar onde era preciso ensaiar, ou improvisar onde era preciso analisar. Um mapa de quatro territórios, a diferença crucial entre complicado e complexo, e qual método corresponde a cada um.

Por 32sur · Agosto de 2026 · Leitura: 18 minutos · Série “Decidir sob incerteza”, Parte 2 de 3

Fossos e velocidade

Maio de 2018. Numa teleconferência de resultados, Elon Musk descarta um dos conceitos mais venerados da estratégia empresarial: "os fossos são uma bobagem" (moats are lame). O que protege uma empresa, diz ele, não é a barreira que construiu ontem, e sim "o ritmo de inovação": se o concorrente inova mais rápido, o fosso não a salva. Dias depois, na assembleia da Berkshire Hathaway, Warren Buffett —que construiu uma das maiores fortunas da história comprando empresas com fossos— responde com ironia: "não acho que ele queira nos enfrentar no ramo dos doces" (I don't think he'd want to take us on in candy). Referia-se à See's Candies, a confeitaria que a Berkshire comprou em 1972 e que há meio século defende sua posição sem inovar grande coisa.

O bate-boca viralizou como duelo de egos. Lido com mais cuidado, é outra coisa: uma discussão sobre em que mundo cada negócio está parado. No mundo dos doces premium —demanda estável, marca centenária, lealdade herdada—, o fosso funciona: as regras de ontem seguem valendo amanhã, e a estratégia consiste em defender uma posição. No mundo dos carros elétricos de 2018 —tecnologia mudando a cada trimestre, entrantes por todos os lados, regulação em movimento—, a posição de hoje não garante nada, e a única defesa é mover-se mais rápido que o resto. Musk e Buffett não discordam sobre estratégia: operam em territórios distintos, e cada um descreve com precisão o seu.

Essa é a tese desta segunda parte. Na Parte 1 vimos os defeitos de fábrica do aparelho de decidir —vieses que operam igual no analista e no CEO—. Mas há um erro mais caro que qualquer viés, e é anterior a ele: aplicar o método correto no território errado. Analisar exaustivamente onde a análise não pode dar a resposta. Improvisar onde havia boas práticas comprovadas. Exigir a previsão exata onde só o ensaio ensina. A primeira pergunta de uma decisão não é "o que fazemos?" e sim "em que território estamos?".

Quatro territórios, quatro maneiras de decidir

O mapa mais útil para essa pergunta foi publicado por David Snowden e Mary Boone em 2007, num dos artigos mais premiados da Harvard Business Review ("A Leader's Framework for Decision Making"). Ele distingue quatro territórios conforme a relação entre causa e efeito —e, com ela, conforme o tipo de resposta que existe.

O claro. Causa e efeito são evidentes para qualquer um: processamento de pedidos, folha de pagamento, o checklist de abertura de uma filial. Existe a melhor prática —assim, no singular: uma maneira correta, conhecida e documentada. Decide-se percebendo, categorizando e respondendo: ver a situação, reconhecer de que caso se trata, aplicar a regra. A gestão é padronização, e a delegação pode ser total.

O complicado. Causa e efeito existem e são estáveis, mas não estão à vista: é preciso escavá-los com análise ou perícia. Projetar uma ponte, avaliar uma empresa, montar a estrutura tributária de uma operação regional. Não há uma única resposta correta, e sim boas práticas —várias soluções defensáveis; especialistas capazes de encontrá-las. Decide-se percebendo, analisando e respondendo. É o reino do especialista, do modelo e do plano: a análise, bem-feita, compensa.

O complexo. Causa e efeito só se veem em retrospectiva. O sistema tem peças demais que se adaptam umas às outras —consumidores, concorrentes, funcionários, reguladores— para que exista uma análise capaz de antecipar o resultado: uma fusão de duas culturas, o lançamento em um mercado novo, uma mudança organizacional profunda. Não há respostas corretas esperando ser encontradas; há padrões que emergem. Decide-se ao contrário: ensaiar primeiro —sondas pequenas, cujo fracasso não machuca—, perceber que padrão aparece e amplificar o que funciona. O plano detalhado de cinco anos não é ambição: é uma categoria errada.

O caótico. Não há relação discernível entre causa e efeito: o incêndio, a corrida bancária, o colapso do sistema. Buscar a resposta correta é um luxo que não existe; primeiro se age para estancar a hemorragia, depois se percebe onde há alguma estabilidade e só então se responde. A liderança é diretiva por necessidade —e o perigo é apaixonar-se por esse modo de comando quando a crise já passou.

Snowden e Boone acrescentam duas advertências que valem o artigo inteiro. A primeira: a borda perigosa não está entre o complexo e o caótico, e sim entre o claro e o caótico —a complacência—: quem acredita que seu negócio é simples e ordenado para de olhar, e dali ao precipício é um único passo (aconteceu com os fabricantes que "sabiam" como era sua indústria até que ela deixou de ser assim). A segunda: a falha típica do especialista é o pensamento condicionado (entrained thinking): resolver o problema novo com a solução que o fez bem-sucedido no problema velho —tratar todo território como se fosse aquele em que aprendeu a ganhar.

Os quatro territórios da decisão SEM ORDEM — a resposta ainda não existe COM ORDEM — há uma resposta a encontrar COMPLEXO causa e efeito: só se veem em retrospectiva ensaiar perceber responder padrões que emergem sondas pequenas cujo fracasso não dói;amplificar o que funciona ex.: fundir duas culturas,entrar num mercado novo COMPLICADO causa e efeito: existem, mas é preciso escavá-los perceber analisar responder boas práticas (no plural) o reino do especialista, do modeloe do plano: a análise compensa ex.: projetar uma ponte,avaliar uma empresa CAÓTICO causa e efeito: sem relação discernível agir perceber responder estancar a hemorragia agir primeiro, estabilizar,aprender depois ex.: o incêndio, a corrida bancária,o colapso do sistema CLARO causa e efeito: evidentes para qualquer um perceber categorizar responder a melhor prática (no singular) padronizar, documentar,delegar por completo ex.: folha de pagamento,checklist de abertura a borda da complacência do claro cai-se no caos —num único passo— A pergunta anterior a toda decisão: de que lado do mapa estou?
Figura 1 — Os quatro territórios da decisão, com a sequência que corresponde a cada um. Snowden & Boone, "A Leader's Framework for Decision Making", Harvard Business Review, novembro de 2007.

O território que falta: não saber em qual você está. Snowden e Boone descrevem um quinto estado, e é o mais frequente de todos: a desordem —não saber em que território se está parado. Seu perigo é que ninguém decide "a partir da desordem": cada um resolve puxando o método que melhor funcionou em sua carreira. O financeiro pede mais análise, o operador impõe procedimento, o empreendedor age. A discussão parece de opiniões; é de territórios. E há uma saída melhor do que vencê-la: partir o problema. Quase nenhuma decisão grande vive inteira num quadrante —uma integração pós-aquisição tem folha de pagamento (claro), sistemas (complicado) e cultura (complexo)—, e tratá-la como uma coisa só garante que ao menos uma parte será gerida com o método errado.

Complicado não é complexo (e confundi-los sai caro)

Das quatro fronteiras, há uma que concentra a maioria dos erros estratégicos: a que separa o complicado do complexo. Gökçe Sargut e Rita McGrath dedicaram a ela um artigo próprio ("Learning to Live with Complexity", HBR, 2011), com uma imagem que convém memorizar: um avião comercial é complicado —milhares de peças, mas interações fixas e previsíveis: dá para modelar, testar e voar com checklist—; o tráfego aéreo é complexo —os mesmos aviões mais clima, controladores, passageiros e companhias adaptando-se uns aos outros em tempo real: o estado do sistema completo ninguém prevê. Três propriedades empurram um sistema para o complexo: multiplicidade (quantos elementos interagem), interdependência (quão conectados estão) e diversidade (quão diferentes são). Uma organização grande, um mercado, uma cadeia de suprimentos regional: os três botões no máximo.

Por que a distinção importa? Porque nos sistemas complexos falham, sistematicamente, três reflexos gerenciais que no complicado funcionam bem:

A previsão pontual. No complicado, mais análise converge para uma resposta melhor. No complexo, a informação necessária para a previsão exata ainda não existe —ela se cria à medida que os atores reagem. Exigir "o número" não produz conhecimento; produz teatro de precisão (e já vimos na Parte 1 quanto valem os intervalos de confiança dos melhores CFOs do mundo: 36,3% de acerto).

A média. No complexo, os eventos longe da média são mais frequentes do que a intuição estatística espera —as caudas são gordas, como na base de Flyvbjerg da Parte 1: o projeto de TI não estoura "um pouco", estoura +447% quando entra na cauda. Gerir com médias um sistema de caudas gordas é dirigir olhando pelo retrovisor.

A consequência única. Num sistema interdependente, cada intervenção tem efeitos de segunda e terceira ordem que ninguém projetou. Sargut e McGrath ilustram com casos em que uma decisão local razoável —um incentivo, um corte, uma mudança de preço— cascateia em resultados globais que ninguém quis. A pergunta gerencial deixa de ser "o que vai acontecer?" e passa a ser "o que poderia acontecer, e como detecto isso cedo?".

Para esse território, as ferramentas que eles propõem são outras: simular cenários incluindo os de baixa probabilidade e alto impacto, em vez de projetar o caso-base; desacoplar e acrescentar redundância para que uma falha local não se propague (eficiência e fragilidade são, no complexo, a mesma compra); olhar três cestas de informação —indicadores defasados, presente e indicadores antecedentes— em vez de apenas a contabilidade, que sempre chega tarde; usar contrafactuais e narrativa ("o que teria de acontecer para que isto nos quebre?") onde a estatística não alcança; investir em opções reais —apostas pequenas, escalonadas, reversíveis— em vez de compromissos totais; e recrutar diversidade cognitiva, porque uma equipe que pensa igual enxerga um único futuro.

No claro e no complicado, o chato compensa

O mapa tem uma armadilha de vaidade: lido às pressas, sugere que o claro e o complicado são território menor —coisa de operadores e técnicos— e que a direção "de verdade" vive no complexo. A evidência diz exatamente o contrário: a vantagem competitiva mais desperdiçada do mundo está em gerir bem o claro e o complicado.

Nicholas Bloom, Raffaella Sadun e John Van Reenen passaram duas décadas medindo, com a World Management Survey, a adoção de práticas básicas de gestão —monitoramento do desempenho, metas com horizonte coerente, gestão de talento— em mais de 12.000 empresas de 34 países. Nada exótico: os processos são medidos? os desvios são corrigidos? as metas existem e mordem? promove-se e retém-se quem entrega? Os resultados são brutais nas duas direções. As diferenças são enormes —e persistentes—: passar do decil pior gerido ao melhor está associado a +75% de produtividade, 25% a mais de crescimento anual e cerca de US$ 15 milhões a mais de lucro. Em seus trabalhos acadêmicos, os mesmos autores estimam que essas práticas explicam cerca de 30% das diferenças de produtividade total entre países —na ordem do que explicam o capital ou a tecnologia. E, ainda assim, a maioria das empresas não as adota. A razão mais humilhante eles descobriram perguntando: os gestores se autoavaliam, em média, com 7 em 10 —e a correlação entre a nota autoatribuída e a qualidade medida é zero. (WYSIATI, diriam Kahneman e a Parte 1: a história interna parece completa.)

O título do artigo deles na HBR é uma pergunta retórica: por que subestimamos a gestão competente? Porque é pouco glamouroso. Porque parece "operacional" enquanto a estratégia parece "diretiva". Mas nos territórios claro e complicado —onde as regras são conhecidas e as boas práticas existem— executar o chato com disciplina é a estratégia, e rende mais que qualquer genialidade episódica. Walter Kiechel chamou o século XX de "o século do management": cem anos de conhecimento acumulado sobre como gerir. O achado da World Management Survey é que o século terminou e a maioria ainda não o adotou —o que transforma a adoção disciplinada, hoje, em vantagem competitiva.

~30%das diferenças de produtividade entre países explicadas pelas práticas básicas de gestão (World Management Survey, 12.000+ empresas, 34 países)
0correlação entre a nota de gestão que os gestores dão a si mesmos (7/10 em média) e sua qualidade de gestão medida
10–20%dos experimentos do Google e do Bing produz resultados positivos. O resto das ideias —de gente muito inteligente— não sobrevive ao contato com a realidade

No complexo, ensaia-se (e a maioria das ideias perde)

Se no complicado a unidade de trabalho é a análise, no complexo é o experimento controlado. E sobre o que acontece quando uma organização leva o ensaio a sério, o dado mais instrutivo vem de quem mais o pratica. Ron Kohavi (que dirigiu experimentação na Microsoft) e Stefan Thomke (Harvard) documentaram: no Google e no Bing, apenas entre 10% e 20% dos experimentos produz resultados positivos. Na Microsoft em geral, um terço melhora as métricas, um terço não move nada e um terço as piora. Leia de novo: em algumas das organizações mais capazes do planeta, a maioria das ideias —propostas por gente talentosa, aprovadas por gestores competentes— falha no teste da realidade. Por isso as grandes plataformas rodam mais de 10.000 experimentos por ano cada uma: porque sabem que não sabem qual ideia é a boa. E o prêmio por ensaiar é real: um experimento do Bing com o formato dos anúncios —uma ideia que dormira meses no backlog porque ninguém a achava prioritária— produziu +12% de receita: mais de US$ 100 milhões anuais só nos Estados Unidos.

A tradução para empresas que não são plataformas digitais não é "façam teste A/B de tudo": é adotar a lógica do território complexo. Piloto antes do rollout: uma planta, uma filial, um segmento —com grupo de comparação e critério de sucesso escrito antes (do contrário, a máquina de histórias coerentes da Parte 1 lerá qualquer resultado como vitória). Apostas escalonadas com opções de saída, em vez de compromissos monolíticos. Reversibilidade como critério de desenho: a decisão reversível se toma rápido e barato; a irreversível é a única que merece o processo pesado completo. E tolerância orçada ao fracasso pequeno: se duas de cada três ideias da Microsoft não melhoram nada, que taxa de fracasso está implícita no seu plano —e o que a sua cultura faz com o gestor cujo piloto honesto deu negativo?

Ler mal o território (os três erros clássicos)

Tratar o complexo como complicado. O mais caro e o mais comum. Reconhece-se pelos sintomas: planos quinquenais com casas decimais, "o número" exigido onde não há base para número nenhum, punição à variância como se fosse incompetência, e a convicção de que o fracasso do plano anterior se conserta planejando o próximo com mais detalhe. Há uma versão estatística desse erro que Kahneman ilustrou com uma anedota célebre: os instrutores de voo israelenses estavam convencidos de que o elogio piorava os cadetes e a bronca os melhorava —porque depois de um voo excelente o seguinte costumava ser pior, e depois de um desastroso, melhor. Era pura regressão à média: os extremos tendem a voltar sozinhos para o meio, sem que bronca nem elogio façam nada. Num sistema com acaso, o feedback cru mente: atribui à gestão o que é ruído. O gestor que "aprende" com cada dado mensal de um sistema complexo está aprendendo, em boa medida, mitologia.

Tratar o complicado como claro. Pular a análise onde a análise tem resposta: fixar o preço pelo faro quando há elasticidades mensuráveis, dimensionar a planta por analogia quando há demanda projetável, contratar "por feeling" quando há evidência sobre como se decide melhor essa seleção (a Parte 3 traz esses números, que são incômodos). É o erro inverso ao anterior e costuma ser cometido pelo fundador bem-sucedido: sua intuição funcionou no território em que se treinou, e ele a exporta para territórios onde não há razão para que funcione.

Ficar analisando quando o território pede movimento. No complexo e no caótico, o custo da informação adicional é tempo —e tempo é exatamente o que o território não dá. A paralisia por análise é, com frequência, aversão à perda disfarçada de rigor (Parte 1): pedir mais um estudo é a forma socialmente aceitável de não decidir. A disciplina contrária tem nome em algumas empresas: distinguir decisões reversíveis de irreversíveis, e proibir-se o processo pesado para as primeiras.

TerritórioA pergunta que o denunciaMétodo que correspondeRisco típico
Claro"Qual é a regra?"Padronizar, delegar, checklistComplacência: crer que todo o negócio vive aqui
Complicado"O que diz a análise?"Especialistas, modelos, boas práticasParalisia; perícia vencida (pensamento condicionado)
Complexo"Que padrão está emergindo?"Ensaios pequenos e seguros, amplificar o que funcionaExigir previsão exata; gerir com médias
Caótico"Como estancamos a hemorragia?"Agir, estabilizar, depois aprenderFicar em modo comando quando a crise já passou

O território, sua pergunta, seu método e seu risco. Snowden & Boone, HBR, 2007; Sargut & McGrath, HBR, 2011.

Perguntas para segunda-feira

Para suas três decisões abertas mais importantes:

Sete perguntas para segunda-feira

  1. Em que território está cada uma —e o método atual (plano detalhado, comitê, piloto) corresponde a esse território ou àquele que sua organização prefere habitar?
  2. Que parte do seu negócio você trata como clara —no piloto automático— sem ninguém olhando se ela ainda é?
  3. Onde você está exigindo "o número" —uma previsão pontual— num sistema em que a informação para esse número ainda não existe?
  4. Suas práticas básicas —monitoramento, metas, consequências—: você as avaliaria com 7/10? O que diria uma medição externa? (Lembre: a correlação entre as duas é zero.)
  5. Quantos ensaios controlados —com grupo de comparação e critério de sucesso escrito antes— sua empresa rodou no último ano? E quantos deram negativo? (Se a resposta é "todos deram certo", você não está ensaiando: está confirmando.)
  6. Que decisão grande você está tratando como irreversível quando poderia ser partida em apostas pequenas com saídas —ou, ao contrário, o que você está pilotando eternamente quando já há evidência para decidir?
  7. Quando o resultado mensal é ruim, sua organização distingue ruído de sinal —ou "aprende" com cada dado como os instrutores de voo?

Se o exercício incomoda, há uma boa notícia escondida: ler o território não exige orçamento nem consultores —exige fazer a pergunta antes de escolher o método. Caro é o contrário.

O mapa deixa uma pergunta aberta, e é a mais pessoal de todas. No complicado mandam os especialistas; no complexo, os ensaios. Mas e o faro? Quando vale a intuição de quem tem vinte anos de indústria —essa certeza imediata, sem argumentos, de que este candidato é o bom ou de que este negócio não fecha? E quando convém render-se à humilhação de que uma fórmula de três variáveis preveja melhor que o comitê inteiro? É disso que trata a Parte 3: as condições exatas sob as quais a intuição especialista é confiável, a evidência de meio século sobre juízo contra algoritmo, e o defeito do juízo profissional de que quase ninguém fala —o ruído.

Sua organização está decidindo num território que mudou?

A 32sur trabalha a leitura do território como primeiro passo de seus processos de gestão: diagnóstico do regime de cada negócio e de cada decisão, método sob medida do território —disciplina operacional onde há boas práticas, pilotos com critérios definidos ex ante onde é preciso ensaiar— e painéis que separam sinal de ruído. Não vendemos o plano quinquenal com casas decimais: instalamos a pergunta prévia que evita pagá-lo.

Vamos conversar

Referências

  1. Snowden, D. J. e Boone, M. E., "A Leader's Framework for Decision Making", Harvard Business Review, novembro de 2007 — os quatro territórios e suas sequências de decisão; a borda da complacência; o pensamento condicionado.
  2. Sargut, G. e McGrath, R. G., "Learning to Live with Complexity", Harvard Business Review, setembro de 2011 — complicado vs. complexo; multiplicidade, interdependência e diversidade; médias e eventos raros; simulação, desacoplamento, três cestas de informação, opções reais e diversidade cognitiva.
  3. CNBC, "Warren Buffett responds to Elon Musk's criticism: 'I don't think he'd want to take us on in candy'", 5–7 de maio de 2018 — o intercâmbio Musk–Buffett sobre fossos e velocidade de inovação (a teleconferência de resultados da Tesla e a assembleia da Berkshire Hathaway de 2018).
  4. Bloom, N., Sadun, R. e Van Reenen, J., "Management as a Technology?", NBER Working Paper 22327, 2016 — as práticas de gestão explicam ~30% das diferenças de produtividade total entre países; World Management Survey, 12.000+ empresas em 34 países.
  5. Sadun, R., Bloom, N. e Van Reenen, J., "Why Do We Undervalue Competent Management?", Harvard Business Review, setembro–outubro de 2017 — decil inferior→superior: +75% de produtividade, +25% de crescimento, +US$ 15 milhões de lucro; autoavaliação 7/10 com correlação zero contra a qualidade medida.
  6. Kohavi, R. e Thomke, S., "The Surprising Power of Online Experiments", Harvard Business Review, setembro–outubro de 2017 — 10–20% de experimentos positivos no Google e no Bing; ⅓/⅓/⅓ na Microsoft; >10.000 experimentos anuais por plataforma; o experimento do Bing de +12% (~US$ 100 milhões/ano).
  7. Kahneman, D., Thinking, Fast and Slow, Farrar, Straus and Giroux, 2011 (ed. bras.: Rápido e devagar: duas formas de pensar, Objetiva) — a anedota dos instrutores de voo e a regressão à média; WYSIATI.
  8. Kiechel, W., "The Management Century", Harvard Business Review, novembro de 2012 — contexto histórico: um século de management científico e a persistente distância entre o que se sabe e o que se pratica.
  9. Flyvbjerg, B. e Gardner, D., How Big Things Get Done, Currency, 2023 — caudas gordas em grandes projetos (referida na Parte 1 desta série).